Finalmente nosso livro vai ser lançado!! Esperamos todos lá!!
Pra quem quer saber um pouquinho mais sobre o assunto, aí vai uma amostra!
Segunda metade do século XX. Queimaram os sutiãs e os homens. Como ele não quis pôr o lixo para fora na hora do jogo, o Macho Tradicional foi varrido da sociedade. Em seu lugar, surgiram variantes modernas, como o “Metrossexual” ou os “Artistas Intelectuais Sensíveis”. Mas permanece o mistério: como eles apareceram? Onde se deu o salto evolutivo do Macho Tradicional? Intrigados com estas respostas, nós, Cronistas Reunidos, nos lançamos em uma audaciosa empreitada antropológica.
O resultado é o “Almanaque do Macho Moderno”, um relato da vida selvagem deste elo perdido. Compre o livro e saiba tudo o que descobrimos sobre essa espécie tão interessante. Mas compre agora! Afinal, tudo que é bom dura pouco, especialmente o Macho Moderno.
Depois de meses longe das minhas terras voltei. O mato está alto como nunca. Apesar do frio da madrugada, resolvi caminhar um pouco por aqui. Remexendo meus arquivos, tirei o pó dos meus mp3 da PRK-30 e me assustei com o quanto me diverti ouvindo-os, mesmo que pela octagésima nona vez. Pra quem não sabe, PRK-30 foi o primeiro grande programa de humor do rádio brasileiro. Até onde pesquisei, criado em meados da década de 40 e se tornou um fenômeno de popularidade na década seguinte (quem quiser saber um pouco mais clique aqui). O mais impressionante é que o programa (transmitido ao vivo) era escrito e protagonizado apenas por 2 locutores, Castro Barbosa (com o personagem Megatério Nababo D'Alicerce) e Lauro Borges (Otelo Trigueiro), que apresentavam notícias, faziam radionovelas, satirizavam programas de auditório, cantavam jingles, e por aí vai. Pra quebrar o gelo, segue o primeiro exemplo (rapidinho!):
O Humor (com "h" maiúsculo mesmo) deles era assustadoramente rápido e bem feito. Características que considero das mais geniais e ao mesmo tempo traiçoeiras em uma peça cômica. E por que digo isso? Porque muita gente acaba não percebendo piadas geniais. Aliás, acho que esse é um dos karmas da comédia. A comédia "fácil" (mesmo quando bem feita) é desvalorizada porque é aparentemente boba e caricata. A comédia "difícil" acaba passando despercebida porque necessita da atenção e de predisposição do espectador pra ser percebida. Por conta disso, os grandes humoristas só são premiados pelo conjunto da obra (e depois de terem provado por inúmeras vezes que são geniais). Os dois da PRK-30 conseguiam combinar um pouco dos 2 universos ("fácil" e "difícil"), com uma versatilidade inacreditável e tiradas sensacionais. Quase todas as piadas deles, funcionariam atualmente. Por exemplo, ao parodiar a transmissão de uma corrida de carros na Gávea, Otelo Trigueiro solta - "O dia está ótimo, amigo ouvinte. Chove torrencialmente aqui na Gávea. Tá fresquinho mesmo, epa. Com a chuva a corrida encolheu!!". :-) Bom, né? Ao mesmo tempo que é um karma, (vou falar isso por experiência própria) acho que uma das coisas mais gratificantes pra que gosta de produzir humor, é perder horas de tempo pensando nos detalhes que talvez poucas pessoas vão perceber. Pensei numa série de exemplos aqui, mas não tem coisa mais chata do mundo do que transcrever piada, e ainda grifando a parte boa! ( algo que eu seria incapaz de fazer aqui, não acham?) Vou colocar, então, outro trecho deles. Agora um pouquinho maior, mas é a sátira de uma novela, algo que todo mundo no Brasil gosta.
Enfim, amigos. Pra quem estava meses sem falar nada, acho que valeu voltar bem acompanhado dos geniais locutores cariocas. Espero que vocês "se divirtam-se". P.S. : Quem quiser saber mais sobre o programa, tem o livro "No AR PRK-30!", de Paulo Perdigão, que conta com 2 Cd's cheios de sketches fantásticas da dupla.
Chegar em casa às 02h30 e ter uma camiseta do Palestra personalizada te esperando na porta de casa, é um dos melhores modos (ever-infinito) de se acabar o dia!
Chiqueirôôô-ô-ô!! Chiqueirôôô-ô-ô!! Chiqueirôôô!! Festa no chiqueirôôô!!!!
Estou numa das fases mais diferentes dos últimos anos da minha vida. Estou trabalhando num projeto que não tem muito prazo pra acabar, então posso dizer que estou tendo a rotina da qual as pessoas chamam de emprego. Estranho, isso. Não disse que é ruim, apenas estranho. Pessoas entrando na vida, pessoas saindo, pessoas voltando. Praticamente nenhum dos casos eu tenho "controle" sobre. Acho que poucas vezes temos controle disso, na verdade, mas estes casos me parecem mais caóticos do que de costume. Trabalhei muito, agora estou num ritmo mais comum, voltei a jogar bola regularmente, estou lendo com certa freqüência, quase não estou escrevendo mais. Sei que todos esses acontecimentos são transitórios, espero que uns demorem mais que outros pra acabar. Descobri que a busca extrema pela liberdade pode te deixar tão preso quanto o tipo de vida que mais te assusta. Agora estou, de novo, praticamente invertendo o rumo das coisas, a mágica vai ser não chegar no extremo oposto e, de novo, sentir a necessidade de inverter tudo. Nada do que estou escrevendo aqui tem muito sentido, e me sinto dos mais picaretas quando vou escrevendo assim. Mas minhas terras também estão aqui para isso, não? O mato já está alto demais e não posso fazer esse lugar parecer estranho para mim mesmo. Em breve, espero, volto com algo mais familiar.
Não, eu não abandonei o blog. Sim, eu me descuidei. Até comecei a preparar outra Fotografia Literal, mas o negócio tá tremendo tanto que fiquei com medo de quebrar a câmera.
Pra tentar cortar um pouco mato dessas terras, vamos lá: Semana passada li, quase que numa tacada só, "Misto Quente", do Bukowski. No prefácio, o tradutor (Pedro Gonzaga) comenta que este livro se enquadra nas obras que mostram (ou discutem) o momento em que se dá a formação do artista como escritor. Nas palavras dele : "o instante em que o indivíduo toma consciência do seu irreversível não-pertencimento à comunidade, as agruras e as feridas daqueles que enxergam o mundo com outros filtros que não o das pessoas comuns...".
"Irreversível não-pertencimento à comunidade" ... Usando um termo bem acadêmico, acho que foi essa frase que me "encaralhou" completamente. Li o livro quase que na esperança de entender melhor como funciona esse tal "não-pertencimento". Nunca me achei artista, nem algo parecido, mas quanto mais tempo se passa, não tenho a menor dúvida de que vivo em contato constante com esse fenômeno.
Como lidar com isso? Menor idéia ...
Enfim ... o que eu mais gostei do protagonista (Henry Chinaski, um alter-ego do próprio Bukowski) é a maneira crua e sem rodeios com a qual ele lida com a realidade. Assim como o Holden Caulfield (do famoso "Apanhador no Campo de Centeio"), reconhecemos nas palavras deles, nossos pensamentos mais escondidos, quando lidamos com os outros. A diferença é que não temos muita coragem de repetir nada daquilo em voz alta. Pra quem tá achando esse papinho aqui muito PIMBA (Pseudo-Intelectual-Metido-à-Besta-e-Associados) lembro do filme "Closer". Sabe os diálogos entre o Clive Owen e as outras pessoas ? Então ... mais ou menos aquilo. Na cena em que ele interroga a Julia Roberts (que acabou de confessar que o tinha traído), você se torce na cadeira constrangido e incomodado, mas lá no fundo, são exatamente aquelas perguntas que está pensando e querendo fazer.
Voltando ao livro ... acho que vale muito pra qualquer um que sofre a menor sensação de "desenquadramento". Não ... ele não dá nenhuma solução pra lidar com o assunto. Mas ajuda ... primeiro por mostrar que tem (e sempre teve) mais gente sofrendo isso, e de maneiras muito mais contundentes. Segundo, porque dentro da crueza dele, tem momentos bem singelos e inteligentes. Acho muito chato esse lance de fazer citação de grandes escritores, mas quando li o trecho que vou citar daqui a pouco, tive que anotar. Aí vai :
"... encontrar uma verdade pela primeira vez pode ser uma experiência muito divertida. Quando a verdade de outra pessoa fecha com a sua, e parece que aquilo foi escrito só para você, é maravilhoso."
Marília Gabriela pergunta pra Hebe Camargo, durante entrevista em homenagem ao Dia Internacional da Mulher (e aos 80 anos da apresentadora), para terminar o programa de forma filosófica: - Hebe ! Para encerrar, uma palavra, frase ou pensamento que você goste ...
Hebe responde, aparentemente atrapalhada: - Olha ... eu gosto de .... como é ... como dizem "É dando que ...". Como é? "É dando que ..."
Marília Gabriela socorre a entrevistada: - Que se recebe!
Hebe sem pestanejar: -Não! É dando que se engravida!
GÊNIO!!! GÊNIO!!!
P.S.: Descobri na entrevista que a Hebe estava no set no primeiro dia da TV no Brasil. Impressionante...
Numa época em que o politicamente correto e as pesquisas de dinâmica de grupo (mal realizadas e interpretadas) dominam a publicidade (e todo o resto). Um anúncio de Toddy argentino, de mil novecentos e guaraná de ruelha, me fez rir demais!
Taí um jeito bem interessante, e nada argentino, de convencer uma mãe que é melhor comprar Toddy pro seu anjinho! Eu (torcedor do Nescau) tou pensando seriamente em mudar de time ...
Imagina se existissem órgãos reguladores da publicidade naquela época. Incitar a violência infantil? Cadeira elétrica na certa!!!
A epifania que tive com a frase no post anterior, também me fez pensar um pouco no modo que vejo as coisas. Um exemplo : trabalho com cinema. Nos últimos anos, consegui sobreviver basicamente na função que desejo me estabelecer e seguir, quem sabe, até o fim da vida : direção. Pois bem ... Sou cinéfilo? Não. Conheço toda biografia do Glauber, Godard e etc.? Não, longe disso ... Conheço muita gente que nem trabalha na área e que vê mais filmes que eu, que discute cinema com muito mais seriedade e preocupação do que eu. Quer dizer então, que eu sou um profissional relapso? Talvez ... Mas toda vez que vejo pessoas falando sobre cinema, com teorias mirabolantes, discussões sobre significados, símbolos e por aí vai; não consigo acreditar muito naquilo tudo. Principalmente porque em 99% das vezes, o que se discute são suposições que só poderiam ser confirmadas na presença do diretor e do roteirista. Mais que o resultado final, me interesso pelo meio do caminho. O que me fascina mesmo é o processo criativo. Nunca fui muito de querer entender o que os grandes gênios (de qualquer área) fazem. Quando percebo, estou tentando entender como eles pensavam. E nesse ponto, não interessa qual é a área de atuação. Qualquer tipo de arte pode ser uma aula (no meu caso) de cinema. Ainda assim, um bom jeito de se entender esse processo no cinema, é não ver tantos filmes uma só vez, mas sim, alguns filmes que realmente te fascinam, muitas vezes. Já diria um professor que tive :"quem vê muitos filmes uma vez é crítico, cineastas assistem poucos e bons filmes muitas vezes".
No post anterior, comentei que a frase "mágica" que o John Updike disse, veio numa entrevista. E é disso que estou falando. Às vezes, é muito mais interessante saber como um artista (de verdade!) pensa seu trabalho, do que o trabalho em si. Seguindo essa lógica, uma das maiores aulas de cinema que tive, foi quando dirigi o documentário da gravação do último disco do IRA! (Invisível DJ). Participei do último ensaio deles antes de entrarem no estúdio e depois, por 2 meses, acompanhei diariamente a rotina de arranjo e gravação de todas as músicas, além da composição de mais duas músicas que surgiram durante as gravações. O filme mostra 1/10 do que foi a experiência. Ver caras do gabarito do Edgard Scandurra, trabalhando numa música, de forma objetiva, concreta e tangível me fez entender (mais uma vez) o quanto o processo criativo é pouco glamouroso e muito trabalhoso. As discussões que os integrantes tinham para decidir um trecho de uma letra, uma batida ou uma linha de baixo, eram discussões de trabalho. Nada de "pirações" artísticas e malucas como se idealiza por aí. E cada vez que eu presenciava momentos desses, pensava nos críticos "especializados" e gente que fica inventando as maiores atrocidades pra explicar tudo, menos o que realmente foi pensado na hora da criação artística. Acho que ao se levar menos a sério, você acaba desmistificando bastante o processo, e acaba se dedicando aos elementos que vão fazer o trabalho realmente especial, diferente ou se preferir "artístico". Pra concluir, quando se fala em desmistificação do processo criativo, minha recomendação maior é um documentário chamado "The Comedian - Os Bastidores da Comédia", onde Jerry Seinfeld escancara o seu processo de criação de um show de Stand Up Comedy, sem o menor pudor. Pouquíssima diversão e muito, muito, mas muito trabalho.
(como já está virando tradição nessas terras, aqui vai mais um video engraçadinho. O trailer desse documentário. Também genial!)
Não sou muito fã de citações. "Alta literatura" e poesia são coisas que eu respeito demais, gosto moderadamente, mas definitivamente não é onde me sinto verdadeiramente confortável. Talvez por ser um escritor/artista em formação, talvez pelo meu jeito de ver as coisas mesmo. Li uma vez o Mario Prata comentando que não escrevia textos sérios porque não se levava suficientemente a sério, sendo sério. Toda vez que arriscava algo do tipo, se considerava uma fraude. Sinto isso também. Mas sinto isso de uma forma mais abrangente. Me sinto uma fraude quando me levo muito à sério sobre qualquer coisa. Não é à toa que vejo no humor a forma mais interessante de questionamento e protesto. (segue um exemplo disso, que gosto "só um pouquinho". Pra quem não conhece, Monty Python é o nome desses caras).
Mas ... isso não quer dizer que eu menospreze ou não queira gostar de coisas mais sérias. Essa semana li sobre a morte do escritor John Updike. Não conhecia nada sobre ele. Porém duas pessoas que admiro bastante citaram a perda com grande pesar e, por conta disso, resolvi investigar um pouquinho. Ainda não conheço nada dele, mas nessa pesquisa li uma frase que me arrebatou : "É no meio que os extremos entram em choque, onde a ambiguidade reina inquietamente". Poucas coisas que li (e isso não foi escrito numa obra dele, mas sim, falado numa entrevista) me confortaram tanto. É isso! Raramente tenho comportamento extremista, porém sempre odiei a idéia (da maioria) de que o meio-termo é "morno". É no meio-termo que eu vivo, e posso garantir que não é um lugar nem um pouco tranquilo e pacífico, amigos. Li essa frase há 3 dias, e ela não me sai da cabeça. Poucos e fantásticos são os momentos em que você tem um entendimento desse tipo sobre si. Tive essa sorte e não é que, ainda completamente leigo sobre sua obra, me uni no pesar da morte do escritor americano? Bom descanso, meu caro John! Enfim ... agora sem nenhuma culpa de estar no meio : entre a "alta literatura" e programas de TV idiotas, eu vou me encontrando.
2008 foi um ano bem significativo pra mim. Sobretudo por ter tido 365 dias. Não é fácil conseguir uma sequência dessas, um dia após o outro, sem interrupções. Afora esta imprescindível questão, 2008 foi um ano revelador. O fato de morar sozinho não me trouxe nenhum trauma ou experiência avassaladora. Sempre me considerei ótima companhia e nunca tive muitos problemas em me encarar sozinho numa noite qualquer. Isso não quer dizer que eu me considere auto-suficiente (com hífen, foda-se). Mas como diria o grande filósofo contemporâneo Roger Moreira alguém só pode se entregar, sabendo se amar, não é? Neste quesito, acho que estou bem. Voltando às revelações do ano. Tem uma diferença enorme entre prova e convencimento. Um grande professor que tive na ECA me ensinou isso numa aula de retórica. Você pode provar um ponto para uma pessoa, usando a lógica e a racionalidade, e ainda assim ela não se convencer dessa questão. Contra provas não há argumentos, mas não existe argumento definitivo que convença alguém que não queira ser convencido de uma prova. Sempre soube que as coisas levam mais tempo do que gostaríamos pra acontecer. Até pouco tempo atrás, não me convencia muito disso. Mas nesse ano comecei a entender essa tese de forma mais clara. Algum momento-chave que me causou essa mudança? Não. Acho que o tempo e muita reflexão sobre vida pessoal, social e profissional. Ao longo do ano, devo escrever posts por aqui que ajudem a pontuar isso de forma mais clara. Que mais? Seguindo a lógica do post abaixo, me tornei uma pessoa pior. Ainda não sei se considero isso bom ou mau, mas é fato que aconteceu. Sei bem que não é isso que eu quero, mas não posso negar que tive bons momentos sendo assim. E 2009 ? Bom ... comecei o ano essa semana. Sem dúvida estou mais tranquilo ... começo tentando levar a vida de um modo um pouco mais prático e menos filosófico. Se tivesse sendo entrevistado pela Marilia Gabriela e tivesse que responder em uma palavra o que pretendo pra esse ano é "simplificar". Vamos ver se eu consigo. Desculpem o abandono momentâneo das minhas terras. Tem muita coisa que quero contar por aqui, mas ainda estou esperando a hora certa. Agora vou cuidar do mato que tá crescendo do outro lado. Feliz 2009!
É impressão minha ou a principal diferença entre o sucesso num relacionamento e na "solteirice" é que o comprometido convicto, naturalmente, se esforça pra ser uma pessoa melhor e o solteiro convicto, de um jeito ou de outro, é compelido a ser uma pessoa pior?
O título é apenas uma tradução do nome da turnê "Sticky and Sweet" da Madonna, pra esquentar as coisas por aqui depois de tanto tempo longe. Vamos lá ... Fui no show da Rainha do Pop na quinta-feira, o primeiro aqui em Sampa. Mas antes de tudo queria falar um pouco sobre as pessoas. Sabe aquelas que vivem no mesmo planeta que nós? Então ... Impressionante o drama que essas pessoas fazem sobre as coisas. Sim, o trânsito até que estava ruim no dia, sim a Sulamérica Trânsito fazia todos acreditarem que São Paulo não se mexia, mas, amigos, juro pra vocês : peguei a ponte do Morumbi, e quase toda a avenida até 1 quarteirão antes do Hospital Albert Eistein, praticamente livres. Isso às 19h00 (uma hora exata antes do horário marcado pro show). Toda vez que a cidade entra nesse tipo de clima de histeria eu, quando posso, saio por aí pra ver se precisa de tudo isso mesmo. Quase nunca precisa. Às vezes exagero, confesso, como no dia dos ataques do PCC, que eu saí pra dar um "rolê" só pra ver a cidade vazia. Mas enfim, voltemos ao show ... Depois de 2 horas de atraso, e um show bem divertido do Paul Oakenfold, a musa entrou no palco. Como sempre faço aqui, não farei uma análise técnica. Vou falar das minhas impressões, certo? O show foi um grande clipe de 2 horas. Espetacular, impressionante, algo que só a Madonna poderia trazer pra nós. E isso é exatamente um reflexo do que Madonna está se tornando. Uma mulher que desafia bravamente o tempo, inacreditável e quase biônica. O show é impecável, com todos os requintes técnicos, artísticos e narrativos que um grande show pode ter. Tudo que talento artístico e o dinheiro podem comprar estão lá. Assim como ela, que está tão em forma, conservada e na ativa como ninguém mais poderia.
Mas ... pra mim ... que não sou suuuuuper fã da moça (afinal de contas, sou hétero convicto) faltou emoção. Pra ser mais preciso ... faltou champignon. Foi tudo tão coreografado, tudo tão perfeito, como num grande músical. Até a hora de ser espontâneo estava no script. E confesso que, por conta disso, o show não foi genial pra mim. Nos últimos post de show que fiz, comentei do Dave Matthews Band, do Pearl Jam e até do U2. Em todos esses shows, saí flutuando. Meus pés teimavam em não voltar pra terra por boas horas depois de tudo. No da Madonna, me senti numa das baladas mais fantásticas que já fui, mas meus pés não descolaram do chão. Pena.
Ainda sim, recomendo pra qualquer um, por tudo de bom que também comentei por aqui.
Pra fechar, explico a expressão "champignon". Quem inventou essa expressão foi um grande intéprete brasileiro chamado Wilson Simonal. Pra ele, "champignon" era todo o balanço, swing e outras coisas mais que nunca vou conseguir explicar com palavras, mas que faziam toda a platéia descolar do chão e parar nas nuvens. Infelizmente só tive a chance de conferir todo o "champignon" do Simonal por registros históricos, mas mesmo numa telinha vagabunda de youtube, viajei com ele muito mais do que na maioria dos shows que já presenciei.
Enfim ... sei que pedir isso num show da Madonna, é quase como exigir erudistismo na Malhação, ou realidade no Missão Impossível, mas acho que um mínimo de "champignon" por todo show cairia muito bem à maior estrela pop de todos os tempos.
Depois de um tempo de abandono e 2 semanas de montanha russa total, estou voltando por aqui. A montanha russa veio por conta das filmagens do novo clipe do NX Zero que estou dirigindo. Não posso contar muita coisa porque o clipe ainda vai ser lançado e não vai ser um clipe muito convencional. Por ora, apenas uma foto de um dos muitos sets q tivemos durante as filmagens. Feeeeio! :-)
Mais um final de semana se passou. Nada demais, nada de menos. Mas presenciei duas coisas (boas) que que me fizeram parar pra pensar um pouquinho ...
1 - Sábado à noite. Fui jantar com um grande amigo, esposa e filhinha (minha "afilhada de criação", com 2 anos e meio) no McDonald's. Entre as brincadeiras, broncas, risadas e choros tradicionais, falei algo que a fez lembrar do Papai Noel. Instantaneamente ela me perguntou se eu queria vê-lo. Eu aceitei e ela, do alto dos seus 97 cm, decidiu que ia me levar pra conhecer o bom velhinho. Por todo o caminho, ela segurava meu dedo indicador com toda força que tinha, me puxando. Eu andava pelo shopping, meio bobo, meio curioso. Até então, todas as vezes que passeei e brinquei com ela, eu que segurava a sua mão. Eu que me preocupava. Pela primeira vez, senti que ela estava realmente preocupada em me proporcionar algo de bom. Ela não queria que eu a levasse pra o Papai Noel, ela queria dividir isso comigo. Não chorei (pq eu sou macho pra caramba!), não enchi os olhos d'água e nem fiquei mais bobo do que de costume. Avacalhei e brinquei com ela como sempre faço (mesmo porque o Papai Noel não estava lá, havia apenas uma linda e gigantesca árvore de Natal), mas balancei com o significado daquele momento. Na hora de ir embora, ganhei 2 beijos. O primeiro, já tradicional, foi resposta de um pedido meu. O segundo, espontâneo, veio com um pedido na língua das crianças (eu estou no módulo intermediário), para que eu fosse visitá-la na casa dela. É claro que vou, linda. Enfim, foi apenas um jantar no McDonald's que não durou mais que 2 horas, mas nesta noite a pequena Rafa, apenas com sua atenção, fez meu dia valer a pena.
2 - Domingo à tarde. Eu na casa dos meus pais, com meu irmão, minha cunhada e minhas 3 sobrinhas. Quase italianos e palmeirenses loucos que somos (principalmente os homens), assistimos o jogo e vimos nosso querido time perder e, praticamente, dizer adeus ao título do campeonato brasileiro. Porém, a partir dos 28 minutos do segundo tempo, São Marcos (sim, Luxemburgo, de novo ele saiu de campo com esse nome, simplesmente porque ele é dotado de santidade no Parque Antárctica), incorformado, abandonou sua área algumas vezes, para tentar fazer o gol que nenhum jogador de linha tinha conseguido até então. Louco? Desvairado? Inconsequente? Pode ser. Mas tudo isso, por conta de uma vontade inacreditável de ganhar e, ainda, por uma paixão pelo time, que supera o medo do ridículo, o medo de perder toda a credibilidade conquistada à duras penas e qualquer outro sentimento que rege a maioria dos profissionais de qualquer área hoje em dia. Essa paixão desvairada que fez São Marcos agir como um louco está em falta hoje em dia. Tão em falta, que é valorizada até pelos rivais. Não conheço um torcedor de outro time (mesmo do maior rival de todos) que não admire e não respeite São Marcos. Claro que depois desse domingo, talvez alguns passem a ridicularizá-lo ou considerá-lo menos "sagrado". Eu mesmo, não sei o quanto vou achar "bonito" caso ele venha a repetir a loucura, num futuro próximo. Mas o fato é que, mesmo vendo meu time me decepcionar enormemente, senti orgulho de estar presenciando aquilo. Ainda tem gente que perde a razão em pról de um ideal. E dessa vez, foi um cara que o Brasil inteiro respeita e admira, numa tentativa heróica, infantil e desesperada (os exemplos que estamos acostumados a ver de gente perdendo a cabeça, sempre são vem com atitudes violentas, depreciativas e maldosas).
Aos dois, Rafaela e São Marcos, só posso agradecer.
Opa, tudo bom?! O mato deu uma crescida, eu sei, mas é que acabei passando uns dias fora. Tive um final de semana (como sempre que acontece) especial em Riviera, com bons amigos. Minha paixão pelos esportes se explicou facilmente por duas vezes neste domingo: no final do GP de Brasil de F-1, e no final do jogo do Palmeiras contra o Santos. Como há muitos anos não fazia ao ver a F-1, pulei gritando e socando o ar na hora que o Kubica e o Vettel passaram o Hamilton (posição que sagraria Felipe Massa Campeão mundial) e senti um aperto no estômago estatelado no sofá quando, na última curva, o Glock perdeu a posição que devolveu o título para o inglês. No jogo do Palmeiras, com uma emoção não tão rara, o gol da vitória aos 46 do 2º tempo, na casa do Santos, me fizeram gritar e ter taquicardia, de novo. Nada consegue manipular tão rapidamente nossas emoções quanto o esporte. Bom, como eu disse, era apenas um alô. Mais tarde eu volto com mais tempo.
Então ... Tava teimando em não postar sobre eles por aqui porque o grupo é argentino, né? Mas já passou quase uma semana e eu ainda acho que devo postar, então vamos lá. Quem quiser saber informações institucionais do show é só entrar em : http://www.fuerzabrutabrasil.com.br Por mim : Vale a pena! Espetáculo com letra maiúscula. Visual incrível. Se assiste ao show de pé, em ritmo de balada. O tempo todo você fica na expectativa de onde virá a ação e isso funciona muito bem. Pra quem lembra ... tem um pouco daquela "filosofia" dos comerciais do Free, mas se você não for um uber-intelectual ranzinza, funciona. Outra coisa ... até no teatro esses maledetos tem mais raça que a gente!! Dica : Vá bem acompanhado! Se for prospect então, perfeito! Além de ser um local super "climinha" e cheio de gente bonita, o lance de assistir ao show de pé, com uma puta sonzeira acompanhada de vários blackouts, e ainda se movimentando (e dançando) no meio da galera, proporciona um dos ambientes mais convidativos para o abate que já vi! Pros ogros que estão com preguiça de levar a namorada, outra dica : tem chuva de mulheres gostosas molhadas. Animal! Além de tudo, é um tipo de teatro/performance "pop" que se existisse mais por aqui, talvez ajudassa a tirar o preconceito que a maioria das pessoas (muitas vezes, me incluo nesse grupo) tem com as artes cênicas.
Nunca achei que o humor e a música tivessem que caminhar separadamente. Imagino que os artistas de Vaudeville foram os primeiros a perceber isso, mas, de qualquer forma, "humor musical" nunca chegou a ser um gênero propriamente dito. Acho que, nos tempos modernos, o primeiro cara mais conhecido a flertar com a idéia foi o Andy Kaufman. Não vou falar muito dele porque ainda escreverei um post exclusivo. Só pra dar uma prévia, vale dizer que ele ficou bem famoso nos EUA pelos seus números musicais, digamos, "irreverentes" (e foi brilhantemente representado pelo Jim Carrey no filme "O Mundo de Andy").
Lembrei agora, que os "Trapalhões" já brincaram com essa possibilidade também. Quem não se lembra da versão de "Teresinha de Jesus" com o Didi, Zacarias e o querido Mussunzis! Bom, pra quem não lembra, e pra quem lembra mas ficou com vontade de matar a saudade, aí vai :
Continuando ... nas minhas pesquisas sobre humor, tempos atrás descobri uma dupla de musicistas que, aparentemente, nunca se encaixaram bem no ambiente clássico e resolveram criar um show chamado "A Little Nightmare Music". Pensei em falar um monte de coisa aqui, mas o melhor é mostrar :
Esse trecho mostra o quanto os caras são débeis mentais, engraçados e criativos.
E esse é o típico exemplo de que (bom) humor e inteligência caminham juntos sempre! Sem "gimmicks". Quem quiser saber mais, vale a pena dar uma procurada no Youtube (eles chamam : Igudesman & Joo) ou mesmo no site dos caras : http://www.igudesmanandjoo.com/
Aí, tempos atrás o Kris me passou uma outra dupla. Outro estilo, mas igualmente cínica e genial. Aliás, dá pra perceber que, assim como os grandes comediantes de Stand-Up, esses caras tem um nível de cinismo quase sobre-humano (e fantástico de se ver). Os caras chamam : Flight of the Conchords. Outro caso de gente que deve ter cansado de tentar uma carreira mediana no meio musical e aí, graças a Deus, descobriu seu verdadeiro talento. Eles tem uma pegadinha "folk", letras espetaculares e muito, mas muito domínio de palco.
Infelizmente não tem versão legendada, mas pra quem entende inglês, ouça com atenção porque é de rolar de rir.
E aqui é um dos clipes que eles fazem num programa de TV, ou algo do tipo. Vi vários deles, e sempre achei que perderam de longe das versões "ao vivo". É quase impossível (mesmo pra eles) competir com aquilo que a gente imagina só ouvindo as letras. Mas, nesse eles acertaram a mão. (dessa vez entender inglês até ajuda, mas não é essencial ...).
Enfim ... ao que se parece, o humor está em alta no mundo inteiro e, espero, vamos ver cada vez mais bons jeitos de se fazer rir. Conforme eu for descobrindo, vou colocando por aqui!
... é um cara legal. Nascido em 1º de Abril de 1979, era goleiro na infância, resolveu ir pra linha a partir da 8ª série, mas queria mesmo ser piloto de corrida. Formado 2 vezes em publicidade é canhoto, palmeirense, cronista, contador de histórias, observador compulsivo, péssimo em cambalhotas e ótimo ouvinte.
Por hora é só.